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Tweak says, "asdfjhgfg :D"

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Chris Ann ([info]chris_ann_w) wrote in [info]potterslashfics,
@ 2007-12-30 13:21:00

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Current mood: nauseated
Current music:música aleatória da JB FM
Entry tags:draco*ron, mpreg, slash

Amor é um jogo de azar (capítulo 5)
Título: Amor é um jogo de azar
Autora: Chris Ann
Classificação: PG-13 - Humor/Romance/Drama - yaoi
Ship: Ron/Draco, Harry/Draco, Ron/Hermione
Resumo: Sobre um herói desaparecido, um puro-sangue falido, um presente biológico e o melhor amigo com problemas com bebida que acaba tendo que cuidar de tudo.
Avisos: Mpreg!
Disclaimer: Tudo pertence à J.K. Eu só brinco com os personagens \o\
Nota1: Para todo mundo que foi infernizado com um "o que é que você acha?" enquanto eu escrevia a fic, e para Beatriz, que impediu a bichinha de ir para o limbo.
Nota2: Desconsidera HP7. Ou pelo menos o epílogo u_u'


Capítulo 5



Tinha alguma coisa errada. Muito errada. Ron estava bêbado demais e excitado demais para lembrar com exatidão do que era, mas tinha. Parecia que tinha algo a ver com Hermione. E Harry. Sim, com certeza, era algo relacionado com Harry.

“Malfoy?” – chamou ele, indeciso, se arrependendo no mesmo segundo que abriu a boca, porque, para responder, Malfoy teria que parar de fazer a coisa maravilhosa que estava fazendo lá embaixo.

Cinco segundos depois, Malfoy apareceu no campo de visão dele, sem fôlego como Ron jamais o vira.

“O quê?”

“Nós não estamos fazendo algo errado?”

“Não” – respondeu Malfoy, irritado por ter sido interrompido por tal pergunta – “Já discutimos isso.”

“Mas e Harry?”

“Potter pode ir para o inferno.”

“Mas ele é o seu...”

“Não, ele não é nada meu.”

“Mas eu acho que...”

“Você não acha nada.” – disse Malfoy, imperativo e impaciente, enquanto tirava o suéter, revelando sua pele muito branca e seu corpo magro – “Cala a boca agora.”

Ron tentou discutir, mas, quando Malfoy voltou a fazer aquela coisa lá em baixo, qualquer pensamento racional se extinguiu da sua mente, e, em pouco tempo, ele já esquecera o que ia falar sobre Harry.

Aliás, quem era Harry mesmo?


~~*~~


Estava chovendo. Ron continuou de olhos fechados, deitado de bruços, ouvindo o barulho das gotas d’água batendo contra a janela. Já era tempo, pensou, enquanto se esticava na cama, estava um calor tão estranho em Londres que...

Sua mão se chocou com uma perna. Havia outra pessoa na cama.

Ron gritou, ao mesmo tempo que dava uma mistura de cambalhota e salto para sair da cama. Sentado do outro lado, com uma xícara na mão, um Malfoy de pijamas segurava o riso de forma mais ofensiva do que seria se estivesse gargalhando.

Foi quando Ron percebeu que estava sem roupa nenhuma. Puxou o lençol da cama e se enrolou todo com ele, como uma capa, ao mesmo tempo em que as lembranças da noite anterior voltavam de uma vez só. E o sonho. Ele o avisara que tinha feito merda, para tentar prepará-lo antes que acordasse. Não que tivesse ajudado muito.

“O que eu fiz?” – gemeu ele, em voz baixa, ainda se enrolando com o lençol.

“Não fique deprimido, Weasley” – comentou Malfoy, depois de soprar o café – “Você foi ótimo, se me permite uma opinião.”

“Cala a boca!”

Malfoy ficou em um silêncio divertido enquanto o observava andar de um lado para o outro, tropeçando no lençol, xingando a si mesmo e batendo ocasionalmente na própria cabeça. Finalmente, Ron sentou na cama, tomando cuidado para ficar o mais longe possível de Malfoy.

“O que aconteceu?” – perguntou, se sentindo a pior criatura da face do planeta.

“Bem” – ponderou Malfoy, brincando com xícara vazia entre os dedos magros – “Primeiro, nós nos agarramos no sofá, depois viemos para o seu quarto, transamos, acordamos todos os vizinhos, inclusive o seu de cima te xingou de...”

“Sem detalhes.”

“Certo. Então, transamos e depois você apagou e dormiu por quinze horas consecutivas. E só.”

“Quinze horas! Então eu devo estar muito atrasa...”

“Relaxa, Weasley. São dez horas, mas hoje é sábado.”

Malfoy deixou a xícara em cima de uma pequena cômoda do lado da cama e o ficou observando, relaxado e apoiado nos travesseiros. Ron não ficou tranqüilo. Malfoy ainda parecia uma cobra preparando a armadilha para uma presa.

“Eu não sei como eu fiz isso” – disse ele, apoiando a cabeça nas mãos – “Digo, eu sou hétero.”

“Claro” – respondeu Malfoy em tom duvidoso – “E eu me chamo Neville Longbottom, prazer.’

“Malfoy, eu estou falando sério!”

“Eu também estou.” – replicou Malfoy, calmamente.

Ron apoiou os braços na cama e deixou a cabeça cair para trás, frustrado. De uma vez só, ele mudara de orientação sexual e fora para a cama com uma das pessoas mais irritantes que ele conhecia. E ainda traíra Harry. Ele ouviu a cama ranger e levantou a cabeça bem a tempo de ver Malfoy, com uma agilidade impressionante, acabar com a distância que os separava e, antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, se acomodar nos seus quadris.

“Malfoy!” – gemeu ele, irritado; era a segunda vez que caía no mesmo truque.

Malfoy piscou para ele, enquanto resistia às tentativas de Ron de tirá-lo de cima, que fizeram com que o lençol que estava enrolado caísse de seus ombros.

“Eu fui apanhador, Weasley.” – comentou ele, casualmente.

“E o que tem isso?”

“Tem que eu treinei muitas horas para não ser derrubado de uma vassoura por um balaço, e não vai ser você agora que vai me tirar daqui.”

Com um grunhido aborrecido, Ron desistiu.

“Por que você não me deixa em paz?”

“Weasley, escuta.” – começou Malfoy, ignorando a pergunta – “Eu quero transar com você, e você devia se sentir muito grato por isso. Se eu quero e você também quer, não faz sentido essa resistência.”

“Eu não quero! Digo, eu quero” – corrigiu-se, sob o olhar exasperado de Malfoy – “mas você é o... alguma coisa de Harry, namorado, ou que seja! E os bebês são dele, então você não acha que...”

“Não, eu não acho” – disse Malfoy, com um tom frio inegável na voz – “Pelos acontecimentos, seu amigo Potter não se importa comigo, e nem eu com ele. Os bebês serão algo a resolver quando ele voltar. Enquanto isso, não há motivos para a minha vida sexual permanecer nula.”

“Mas... Harry... digo, não tem como fazer nada com você assim.”

“Claro que é possível. Nós fizemos ontem.”

“Como?”

“Pensei que não queria os detalhes.”

Ron corou, tanto pelas lembranças tanto pelos arrepios causados pelas mãos de Malfoy, que agora deslizavam pelo seu peito e barriga.

“Mas” – continuou ele, tentando se concentrar – “o Harry vai me odiar para sempre se nós fizermos isso. Tenho certeza que ele gosta de você.”

Era impressão dele ou as mãos de Malfoy hesitaram um segundo antes de continuar o caminho pela sua barriga?

“Não creio que goste” – prosseguiu ele, imperturbável – “mas, de qualquer forma, ele jamais saberá disso. Ninguém vai saber, na verdade. Eu estou apenas morando com você por falta de opção. Certo?”

Ron assentiu, percebendo que seus argumentos haviam acabado. Malfoy sorriu de forma sinistra e tirou o lençol que envolvia seus quadris, antes de pôr as mãos no seu peito e empurrá-lo para deitá-lo na cama. Ainda sentado sob seus quadris, tirou a parte de cima do pijama, fazendo Ron se lembrar do Malfoy do sonho, embora aquele não tivesse barriga, e pensar com certo mal-estar em Hermione, Harry e naquela coisa estranha que era sua história com Malfoy.

“Agora” – disse Malfoy em voz muito baixa, correndo o dedo indicador pela barriga dele; Ron estaria se sentindo muito vulnerável se não estivesse tão excitado – “se você quiser, eu posso mostrar para você como é que nós conseguimos transar ontem à noite.”

Quando eles se encararam, Ron percebeu que simplesmente não conseguiria dizer não.

~~*~~


Se houve algum momento naquele ano que Ron foi feliz de verdade, sem quase nenhum estresse ou irritação além dos usuais, foi em parte do mês de junho. Claro, ele tinha problemas. Um monte deles, aliás. Mas como a felicidade nunca era perfeita, ele estava contente.

Malfoy acabara tendo razão. Desde que o ex-adversário de escola fora promovido de hóspede a amante, a qualidade do sono e o humor de Ron melhoraram absurdamente, e ele até fazia com mais paciência as tarefas que Goldstein mandava executar. Mas, claro, havia problemas. O maior deles era dormir com Malfoy. Não que Ron não gostasse de transar com ele, ao contrário. O problema era que eles mal tinham acabado e Ron mal estava recuperado e Malfoy já virara para o outro lado e dormia. Não que Ron gostasse de grudar nas pessoas depois do sexo – esse, aliás, sempre fora um foco de tensão com Hermione -, mas, às vezes, ele só queria continuar junto por um tempo, beijando e abraçando. Malfoy era totalmente incapaz de compreender isso. Na primeira vez que Ron tentou se aninhar, ele dera uma cotovelada dolorosa na barriga dele e mandara se afastar. Então, Ron nunca mais tentara, mas sempre se sentia chateado e, de uma forma irritante, usado.

Mas isso não o incomodava. Não muito. Era só sexo, não era? E já estava complicado demais para ganhar novos problemas, então Ron segurava sua vontade de abraçar Malfoy quando não havia nenhum contexto sexual, e, quando havia, mantinha sua boca ocupada, beijando ou mordendo ou fazendo qualquer outra coisa, para evitar falar algumas coisas embaraçosas que passavam por sua cabeça. E, depois, deitado no escuro enquanto Malfoy dormia, pensava, culpado, em Harry, quase entendendo como ele caíra pela doninha, e às vezes também pensava com mal-estar em Hermione.

Mas ele era fraco demais para acabar com aquilo e, honestamente, não tinha vontade. Então, a vida continuou enquanto o mês de junho passava e a barriga de Malfoy inchava cada vez mais à medida que o sétimo mês se aproximava. Embora o nascimento dos bebês fosse previsto apenas para agosto ou talvez até setembro, as reclamações de Malfoy sobre dores nas costas e pés inchados, entremeadas por xingamentos a Harry, faziam crer que ele morreria de sofrimento antes disso.

Entre o Ministério, o treinamento de aurores e Malfoy, Ron não tinha muito tempo para refletir sobre uma estranha angústia que o estava corroendo. Não tinha nada a ver com Malfoy - ou melhor, tinha. Mas era diferente. Era uma sensação onipotente que havia algo errado, muito errado, e que tinha algo a ver com ele e Malfoy. Era a sensação que tinha algo errado na forma como Malfoy acabara na casa dele, como eles haviam se aproximado e acabado na mesma cama. Essa sensação chegou ao seu auge no fim de junho, quando ele estava empurrando móveis no quarto que fora de Malfoy e que agora seria dos bebês.

Depois de quase sete meses desaparecido, tornara-se óbvio que Harry não voltaria tão cedo – se é que voltaria. Sendo assim, Malfoy fora às compras e voltara ao apartamento com berço, móveis, roupinhas e outras coisas, que teriam feito a conta financeira de Ron entrar em total desespero, se Malfoy não tivesse sido surpreendentemente sensato, apesar da expressão aborrecida dele indicar que os berços simples de madeira que comprara não eram nem de longe indicados para o sangue nobre dos bebês Malfoy.

Por causa das suas inúmeras dores, ele encarregara Ron de empurrar e guardar coisas, enquanto ele mesmo se limitava a ficar sentado na poltrona dando ordens. Ron devia estar irritado por estar sendo feito de elfo doméstico, e até mesmo devia começar uma discussão com Malfoy, só para manter a normalidade, mas ele só conseguia pensar naquela sensação, e como ela parecia ainda mais estranha agora, com ele empurrando móveis e arrumando o quarto dos bebês de Malfoy como se também fossem dele próprio.

Quando não agüentou mais guardar aquilo para si mesmo, se virou para falar com Malfoy, mas ele escolhera aquele preciso momento para sumir. Ron ouviu a porta do seu quarto rangendo enquanto abria, quase ao mesmo tempo em que um barulho de alguém tropeçando na sala chegava até ele, junto com uma voz conhecida.

“Ron, idiota, porque você colocou essa mesinha no meio da sala?”

Ron sorriu para si mesmo e foi até a sala para ajudar Ginny a se levantar.

“Andei arrumando os móveis” – respondeu ele, pensando no gosto estético nada prático de Draco.

Malfoy, corrigiu-se mentalmente, enquanto Ginny fazia uma careta enquanto limpava as cinzas das vestes e lhe passava uma cesta pesada, antes de se abaixar para acariciar o joelho machucado.

“E limpou também, não é? Isso foi bom. Francamente, seu apartamento estava nojento na última vez que eu vim aqui.”

Ron deu um rápido sorriso para ela e deu uma olhada na cesta cheia de comida. Desde que morava sozinho, sem Hermione, sua mãe parecia incapaz de acreditar que ele pudesse ir às compras sozinho.

“Eu sei que papai é quem costuma entregar isso, mas ele não tem te visto no Ministério e eu estava na Toca... enfim. Mamãe pediu para você ir lá de vez em quando, ela quase nunca te vê.”

“Certo. Escuta, Ginny, você teve alguma notícia do...”

“Weasley.”

Draco estava em pé perto do corredor, olhando para Ginny com educada aversão. Ela pareceu pasma ao vê-lo e olhou para Ron e depois para ele novamente, como se quisesse ter certeza de que não estava tendo uma visão. Então, quando seus olhos se focaram na barriga de Malfoy, ela arregalou os olhos, mais confusa do que antes.

“Malfoy” – cumprimentou ela de volta, atordoada.

“Vou deixar vocês a sós.”– disse Draco, polido, e saiu, retornando ao corredor.

“Ron” – começou Ginny, após um longo silêncio – “você está morando com Malfoy?”

“Na verdade, é ele que está...”

“E Malfoy vai ter um bebê, não vai?”

E, num átimo, Ron entendeu, horrorizado, o que ela estava pensando.

“Ginny, não é nada disso!”

“Como não?” – perguntou ela, desafiante – “Ele está enorme, e morando aqui com você! Por que você não contou nada?”

“Porque não é nada disso!” - exclamou Ron, nervoso – “Ele só está aqui há uns dois meses, porque não tinha onde ficar, o Ministério...”

“Tá, certo, já entendi tudo.” – bufou ela – “Depois nós conversamos melhor. Preciso voltar, mamãe precisa da minha ajuda.”

“Ginny” – disse Ron, frustrado, segurando-a pelo braço antes que ela voltasse a entrar na lareira – “por favor, não conta isso para ninguém.”

Ela o encarou por um longo tempo, em dúvida.

“Está bem” – concedeu ela, indecisa; Ron a soltou e ela entrou na lareira – “Não vou, mas você vai. Mamãe não vai gostar de saber do primeiro neto dela no dia em que ele nascer.”

“Caramba, Ginny, eu já disse que...”

O brilho verde das chamas inundou a parede da sala. Ron ficou encarando a lareira vazia, irritado. Agora Ginny pensava que os bebês eram dele. Virou-se e deu de cara com Malfoy, apoiado na parede perto do corredor.

“Mas que droga! Por que você não ficou lá dentro? Sim, porque” – interrompeu quando Malfoy tentou falar alguma coisa – “eu não acredito que você não tenha ouvido quando ela chegou pela lareira.”

Malfoy sorriu, um daqueles sorrisos cínicos que faziam Ron ter vontade de socá-lo.

“É, eu ouvi” – admitiu ele, enquanto voltava para o quarto de hóspedes, com Ron em seus calcanhares. – “Mas ainda não perdi minha educação.”

“Você não podia ter ido lá! Você sabe que ela detesta você desde...”

“Que perdeu o namoradinho herói para mim, eu sei” – disse Malfoy, se virando no meio do quarto e dando um susto em Ron, que parou de andar bruscamente.

“Eu não acredito” – começou ele, seu rosto a poucos centímetros do de Draco, sentindo as mãos dele deslizarem por suas costas – “que você foi falar com ela só por implicância! O que você esperava?”

“Não sei” – confessou Draco, com um ar travesso, uma das mãos brincando com o cabelo de Ron – “Mas eu tinha que ser educado. E foi divertido ver a cara dela.”

“Não, não foi! Agora ela acha que eu sou o pai dos seus bebês.”

“E você não desmentiu?”

“Ahn.... bem...” – atrapalhou-se Ron, desejando que Draco parasse de abraçá-lo e atrapalhar sua concentração – “Não consegui.”

“Seu idiota” – disse Draco em voz baixa, num tom que poderia ser considerado carinhoso, beijando-o de leve.

Ron começou a sentir que seu cérebro estava derretendo, coisa que sempre acontecia quando estava com ele.

“Sabe” – falou ele em tom igualmente baixo – “eu não sei como Harry conseguiu de agüentar, Dra... Malfoy.”

Ele sorriu, mas dessa vez pareceu estranhamente sincero.

“Na verdade” – replicou ele, a voz transbordando malícia – “com base no último mês, eu acho que você sabe exatamente como.”

As orelhas de Ron ficaram vermelhas.

~~*~~


Ron segurava a pesada caixa e tentava se localizar por aquele andar, procurando a sala onde ficavam os arquivos. Só um mês para as férias, pensou ele, finalmente achando a porta certa e abrindo-a com um chute desajeitado. Depositou a caixa numa mesa e esticou os braços doloridos, já pensando na volta para o apartamento quando, de repente, ouviu um estrépito de várias caixas caindo não muito longe e, com um sobressalto, escutou a voz de Hermione xingando. Respirou fundo para se acalmar, checou o bolso onde estava sua varinha, por via das dúvidas, e foi andando até a origem do som. Não demorou para vê-la, ajoelhada no chão, tentando organizar um monte de papéis caídos no chão. Respirou fundo de novo e se aproximou. Ia resolver aquilo, e ia resolver agora.

“Hermione?”

Ela se levantou aos tropeções, assustada, mas conseguiu se equilibrar rápido e encará-lo com o habitual olhar raivoso. Apanhou uma pasta numa mesa próxima e se encaminhou para a porta, mas Ron segurou-a pelo braço e empurrou-a de volta, fazendo que Hermione esbarrasse numa mesa e derrubasse uma pilha de papéis no chão. Ron teve a forte impressão que ela estava tateando o bolso em busca da varinha.

“Hermione, por favor!” – pediu ele; a última coisa que queria era um duelo – “Eu só quero conversar com você!”

“Conversar!” – exclamou ela, com a voz aguda, se endireitando – “Conversar! Você teve todas as chances, Ron. Agora, eu vou embora.”

Ele nunca a vira tão irritada.

“Por favor” – implorou ele, se colocando na frente dela – “Vamos conversar.”

Ela tentou passar por ele, que novamente teve que empurrá-la. Daquela vez, Ron teve certeza que ela sacaria a varinha e o derrubaria, mas ela ficou parada, vermelha pelo esforço e respirando pesadamente, enquanto o avaliava. Ron quase ouviu as engrenagens do seu cérebro funcionando.

“Excelente” – disse ela, agitada, tentando se controlar – “Vamos conversar e acabar logo com isso.” – pigarreou e então continuou, o tom de voz mudando tão bruscamente que Ron se sentiu atordoado – “Soube que você está morando com Malfoy.”

“Eu... eu não acredito que Ginny contou isso!”

“Eu fiquei feliz por você” – continuou ela, ignorando-o, o tom civilizado ainda horrivelmente falso – “Pelo menos uma vez na sua vida, assumiu suas responsabilidades e...”

“Que responsabilidades?”

“Não se faça de ignorante!” - guinchou ela – “Você sabe muito bem do que eu estou falando!”

“NÃO, EU NÃO SEI!” – berrou Ron.

“NÃO SEJA SONSO!” – gritou Hermione de volta, perdendo seu frágil controle e apontando um dedo para ele – “VOCÊ SABE MUITO BEM QUE O PAI DO BEBÊ DELE!”

Ron parou no meio do ato de erguer o dedo para Hermione também.

“Eu sou o quê?” – perguntou, tendo certeza que ouvira errado.

“O pai...do... bebê... dele” – repetiu Hermione, respirando em grandes sorvos enquanto falava – “Em nome do que tivemos, Ron, não minta agora dizendo que nunca dormiu com ele na festa de Natal.”

Ela se sentou numa cadeira, com as mãos na cabeça. Ron viu o choro, mas não o registrou. Sua mente estava em choque.

“Não.”

“Sim” – confirmou Hermione, dando um sorriso totalmente sem humor – “Eu vi vocês dois se esfregando como dois animais no cio. Vocês sequer trancaram a porta.”

Ron sentou-se também, não querendo acreditar. Ele e Malfoy... Malfoy e ele... ele não achava que seria possível que...

Você não acha nada, disse o Malfoy do sonho, como se zombasse dele.

“Não” – repetiu ele, mas era claro demais para ignorar. Fechou os olhos e viu a cena se desenrolando como um filme trouxa. Malfoy brigando com Harry. Malfoy decidindo trair Harry com o primeiro bêbado que passasse pela frente. Malfoy o encontrando um pouco alto...

Não, ele não é nada meu, dissera ele, tentando convencê-lo? Deve ter usado a mesma estratégia de um mês antes. Talvez tivesse dito que Harry e Hermione nunca saberiam.

Nós não estamos fazendo algo errado?

E depois... depois...

Cala a boca agora.

E na manhã seguinte, ele acordava com a vida totalmente ferrada e sem saber porquê.

“Ron?”

Ele abriu os olhos, sentindo-se mal de tanta fúria. Hermione o encarava com olhos vermelhos e um ar perplexo.

“Ron, você não se lembra, não é?” – perguntou ela, lentamente, sem acreditar.

“Não” – respondeu ele, sentindo nojo de si mesmo. Ele traíra Hermione. Ele traíra Harry. Ele sabia o que estava fazendo quando aceitou. – “Hermione, me desculpe, eu... eu lamento.”

Ela não respondeu. Depois, fungando, passou as mãos no rosto para limpar as lágrimas e, pegando a pasta, se levantou e se encaminhou para a porta. Ron não tentou impedi-la.

“Eu lamento” – repetiu ele novamente, e teve a batida da porta como resposta.

Ron ficou sentado, sozinho na sala, quase sem acreditar na dimensão da merda que acabara de acontecer. Ele transara com Malfoy na festa extra-oficial de Natal e, se a data de concepção dos gêmeos era nessa época, então...

Foi quando a idéia lhe ocorreu: e se Malfoy soubesse o tempo todo do que eles haviam feito? E se soubesse que os bebês eram dele, e, sem Harry para empurrar toda a responsabilidade, recorrera a ele? Então, tudo, desde a chegada dele até a sedução, havia sido armado, para ter como sobreviver. Claro, porque ele sabia que Ron cairia. Já o fizera uma vez, pensou, sentindo uma onda escaldante de ódio. Se Harry voltasse, Malfoy juraria pelos seus pais mortos que ele era o pai dos bebês, e voltaria a pôr as mãos no dinheiro dele. Se não, ele diria para Ron que ficara bêbado e não se lembrava do que haviam feito. E Ron, como o pateta que era, acreditaria.

Levantou da cadeira tão bruscamente que ela foi ao chão. Saiu quase correndo da sala para o corredor e foi em direção ao elevador para subir e buscar suas coisas. Queria ir para o apartamento, queria gritar que já sabia de tudo e colocar Malfoy na rua, queria gritar consigo mesmo por ter confiado na doninha e, por ter caído na armadilha dela e, principalmente, por ter acreditado que eles tinham chance.

Naquela noite, prometeu a si mesmo, enquanto se dirigia às lareiras, ele ia fazer Malfoy pagar por tudo.


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